A RECUSA DE JAIR BOLSONARO AOS DEBATES

Brasília 24 de agosto de 2018

POR CARLA CASTRO

Para alguns, o fato do presidenciável, Jair Bolsonaro (PSL), se recusar a participar de debates na reta final da campanha, é um erro, que pode ser explorado pelos seus opositores, festejando de forma argumentativa sua ausência, como limitações. A decisão é polêmica e controversa. A quem de fato interessa, a partir deste instante, os debates nas redes de televisão? Basta olharmos para trás, e percebermos que o candidato Jair Bolsonaro cresceu através das redes sociais e de suas andanças por todo o Brasil, comunicando-se diretamente com o povo. Registre-se que jamais teve cobertura da “grande mídia nacional”. Alcançar o primeiro lugar nas pesquisas de intenção de votos, sem nenhuma cobertura jornalística – pelo contrário – vítima do “marronzismo”, que a toda hora queria destruí-lo, o que faria ele agora diante da TV? A partir da “linguagem” que lhes é imposta, Bolsonaro além de representar um papel, interpretando um candidato, se submete às “pegadinhas” ou “armadilhas” cuidadosamente elaboradas por seus adversários, para subtrair sua popularidade.

A cobrança é do povo? Pode ser. De um percentual e potencial duvidoso. O próprio Ciro Gomes já externou por duas vezes, sua preocupação a este respeito. A primeira, na entrevista da Globo News, quando pediu à Miriam Leitão para apressar sua pergunta, por que queria que o povo ouvisse sua resposta antes de adormecerem. De fato, o horário dos debates não ajuda aos candidatos. Iniciam-se às 22:00 horas e se encerram à 01:00 hora. Plena madrugada, instante em que 80% da população ativa está dormindo, para cumprir horário dia seguinte no trabalho. Por que as “redes” não estabelecem estes encontros às 19 horas? Com transmissão simultânea pelo rádio? Outro ponto que merece avaliação é o público telespectador. Quem dispõe de tempo para está acordado até altas horas, são pessoas de vidas resolvidas, opiniões formadas, com seu voto previamente definido. Não mudarão de posição em função de um debate. Aliás, o que pode produzir estes “debates” é um tombo contundente – em quem está bem nas pesquisas – capaz de sofrer solavancos irreversíveis, provocados pela exploração dia seguinte, nas redes sociais.

Outro ponto discutível são as perguntas. Trocam-se apenas de entrevistadores, mas os temas são os mesmos. Sobre economia, desemprego, saúde, educação… Nada de novo a acrescentar de uma rede de TV para outra. Como bem “qualificou” o Cabo Daciolo, “é um teatro, nada daquilo é verdade, querem enganar o eleitor”. O desabafo parece um gesto de desespero. Mas, no fundo reflete certa verdade. Principalmente quando ele (Daciolo) ataca que todos ali já estiveram um dia no governo, e não fizeram o que hoje prometem.

Fica difícil, para um candidato como Álvaro Dias, por exemplo, expressar de forma calorosa seu perfil, e relatar à importância de “refundar” a República, quando as perguntas que lhes são dirigidas não deixam espaços para que ele se aprofunde na divulgação de sua plataforma de campanha. Marina Silva se livra de todo tema polêmico, como o aborto e porte de armas, refugiando-se no “Referendo”. Esquece a candidata, que os Referendos e Plebiscitos, são autorizados pelo Congresso Nacional. O Presidente não pode usar deste instrumento – como o fez o da Venezuela – a seu bel prazer. Ciro Gomes promete – de forma apelativa – em todos os debates, retirar o nome dos inadimplentes do SERASA (?). Por sua vez, a diferença de Boulos para Lula – peleguismo e eternizar a pobreza – é uma questão de “dedo”. Ele tem um a mais que o Lula. Geraldo Alckmin promete repetir sua gestão em São Paulo, quando o país tem cinco regiões, tão diversa uma da outra, a partir da questão climática, solo, costumes…

Jair Bolsonaro, com sua formação militar, teme muito prometer. Desconhece como os demais, os verdadeiros problemas do Brasil a partir de sua dívida nunca auditada, e remunerando juros – ato perverso de Lula – tendo sequência com Dilma Rousseff. Quantos e quais são os contratos que podem ou não ser quebrados, sem que haja forte retaliação do mundo globalizado? Só os conhecem quem chega ao poder. Não foi por acaso que FHC – ao vê o Brasil quebrar em suas mãos – trouxe o homem que o quebrou – Armínio Fraga – braço direito de George Soros (mega especulador) para comandar a economia, e o real continuar vivo. E Lula? Ao invés de nomear para o Banco Central um dos grandes economistas do PT, a partir do “festejado” crítico Aloizio Mercadante, escolheu Henrique Meirelles, que se elegeu deputado federal pelo PSDB-GO, e com forte apoio financeiro – na época permitido pela Justiça Eleitoral – levou uma das maiores lideranças do PMDB Iris Rezende a amargar uma derrota para o noviço Marconi Perillo. Qual a eleição presidencial já realizada no Brasil, que foi decidida por um debate?

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