ANÁLISE DO DEBATE DA BAND TV

Brasília 13 de agosto de 2018

POR CARLA CASTRO

Apesar do horário, (22:00 hs às 01:00) da última quinta-feira 09/08/2018, a rede de TV Band alcançou altos índices de audiência, na exibição do primeiro debate, transmitido ao vivo, entre os candidatos a presidente da República que concorrerão ao pleito de 07/10/2018.
Presentes, Geraldo Alckmin (PSDB), Álvaro Dias (PODEMOS); Marina Silva (REDE); Cabo Daciolo (PATRIOTA); Jair Bolsonaro (PSL); Henrique Meirelles (PSD); Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL).

Adotando o mesmo estilo – desde 2010 – a Band TV procurou ouvir dos candidatos, perguntas elaboradas através de enquetes realizadas pelo próprio “sistema” – rádio e tv – sugeridas por seus ouvintes e telespectadores, complementadas por sua equipe de jornalismo que particularizava mais determinadas questões como, violência, desemprego, infraestrutura, saúde e previdência social.

Nos blocos em que cada candidato escolhia um dos seus concorrentes, para dirigir sua pergunta, ocorreram algumas “pegadinhas”, principalmente no tocante a comportamentos, e seus respectivos passados biográficos. Neste contexto, de modo agressivo o candidato do PSOL se dirigiu a Jair Bolsonaro – devassando sua vida – acusando-o sobre recebimento de auxílio moradia dos parlamentares, e ao complementar a pergunta, indagou se o mesmo não tinha vergonha. Bolsonaro o desqualificou e realinhou (em tempo) o debate, desprezando por completo o intuito do “psolista” em transformar o encontro dos presidenciáveis, num programa estilo Ratinho, com baixarias e acusações bisonhas, no propósito de ocupar o espaço e ganhar atenções no grito, como se fazia nos velhos tempos da política estudantil balizada pelas ideologias.

O esperado por muitos, era a formação de um “pelotão de fuzilamento”, contra o candidato, que lidera no momento as pesquisas de intenções de votos, Jair Bolsonaro. Inclusive ficou visível, que até o próprio Bolsonaro estava além de apreensivo, ansioso, recatado e temendo acontecer o mesmo que ocorreu no programa Roda Viva da TV Cultura e na Globo News.

A crítica contundente ao atual governo, e a Era petista, partiu do candidato do PODEMOS Álvaro Dias, que aproveitou o tempo de TV para mostrar sua imagem ao país. De modo oportuno – mostrou seu lado reformista – quando elogiou a força tarefa da lava-jato, prometendo que se eleito, nomear o Juiz Sérgio Moro Ministro da Justiça. Pediu diversas vezes aos brasileiros para abrirem os olhos, sobre a corrupção institucionalizada no país.
Geraldo Alckmin explanou de modo didático as conquistas de seu governo em São Paulo, nas áreas de educação, saúde e moradia popular, exibindo a queda vertiginosa da violência desde 2001, quando foi registrado mais de 13 mil assassinatos, para pouco mais de 3.000 em 2017. E prometeu redução da carga tributária, além de redução do estado. Que se registre: todos foram unânimes em afirmarem que combaterão a corrupção e reduzirão o estado.

A candidata da REDE Marina Silva não apresentou nada de novo. O discurso é o mesmo de sempre. Preferiu dá algumas alfinetadas no candidato do PSDB. Henrique Meirelles sofreu pesados ataques de Boulos, Ciro Gomes e um tiro certeiro de Álvaro Dias que o responsabilizou pela política de juros altos do país desde 2003. Ao ser obrigado a levantar a guarda e ficar na defesa, Meirelles foi “rotulado” por Boulos como “porta giratória” que entrou no PSDB, foi servir ao PT de Lula, saiu do governo Lula e foi para a JBS, depois retornou com Michel Temer. Henrique Meirelles ao contestar Boulos e as “estocadas” de outros candidatos, culpou o desemprego, queda do PIB e rombo nas contas públicas, a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, governo a quem não serviu. Bolsonaro se limitou ao seu minuto e meio, quando se dirigiu ao povo brasileiro, manifestando, de forma resumida, todo o seu programa de governo que já vem defendendo há mais de um ano, nas palestras, encontros e entrevistas. Irritou-se quando Ciro Gomes alegou que ele havia legislado em favor de um medicamento para cura do câncer, pelo atraso burocrático da ANVISA. Pelo que entendemos, ele não interpretou de forma correta a citação de seu nome, pelo candidato do PDT.

Finalmente, coube a Ciro Gomes mostrar a pior de todas as suas apresentações em entrevistas, palestras e encontros. Como ex-ministro da fazenda do governo Itamar Franco, foi o segundo Ministro do Plano Real. Conhece o sistema financeiro e seus entraves além-fronteiras do país. Esperavam-se propostas mais concretas sobre a economia, os erros do atual governo, e os da Era petista. Não falou nada sobre os desacertos do PT. Pelo contrário, fez um “apelão” popular prometendo tirar do SERASA, 63 milhões de brasileiros (?) a promessa excêntrica que silenciou todos, tinha que ser comentada por Jair Bolsonaro, que prontamente respondeu: não sabia fazer “mágica” ou “milagres” e desejou boa sorte a Ciro – caso seja eleito – em conseguir esta façanha. Cabo Daciolo – que já pertenceu ao PSOL – acusou Ciro Gomes de participar da trama internacional dos comunistas do século XXI, que pretendem unificar a América do Sul na URSAS– União das Repúblicas Socialistas da América do Sul. Desconcertado, Ciro Gomes disse que desconhecia o assunto e não participou do Foro de São Paulo (que é outra coisa). Dia seguinte, o Twitter mostrava que o movimento existiu e que Ciro era ou foi um de seus integrantes.

A repercussão do debate foi aquém do esperado, no tocante a registros por parte da mídia tradicional. E o mau comportamento do twitter foi algo aberrante e imparcial, como plataforma hospedeira da opinião pública. Durante três horas consecutivas, derrubou oito hashtag, quando Bolsonaro atingia a liderança e limite de mais de um milhão. A audiência foi uma verdadeira guerra entre os telespectadores “internautas”, e o twitter, que de forma ditatorial, censurou e não admitiu Bolsonaro na frente. Registrem-se também os aplausos da plateia de convidados, para Jair Bolsonaro, fato repetitivo, que incomodou o mediador Ricardo Boechat. Quem perdeu? O PT, que por não ter candidato. Foi defenestrado do processo pela população, que estava de olho na TV e nas redes sociais.

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