ELEIÇÕES NO DF: TENDÊNCIA DE RADICALIZAÇÃO

Brasília 18 de agosto de 2018

Por Carla Castro

As tentativas do Senador Cristovam Buarque em pacificar as oposições com vistas às eleições no Distrito Federal, culminaram num processo com fortes tendências à radicalização do eleitorado brasiliense, episódio já visto no pleito de 2014.

A disputa pelo governo do DF, indiscutivelmente alcançará o segundo turno, pela robustez dos postulantes que ocupam espaços muito bem divididos pela preferência da população. Atual governador é candidato à reeleição (Rodrigo Rollemberg), cujo uso da máquina alcança pelo menos, 30% do eleitorado, não importando o desgaste de sua gestão. Este percentual é alicerçado nos cargos comissionados, contratados emergenciais, prestadores de serviços, fornecedores… Um universo que gira em torno do orçamento, privilégio não só do GDF, mas, de todos os estados da federação.

A oposição, dividida, apresenta Rogério Rosso, como oponente histórico do titular do Palácio do Buriti. Todavia, em tempos de “Bolsonaro” e seu forte discurso encarado como “demolidor de sistemas”, vem impregnando a mente do eleitor na busca de semelhanças com o cenário nacional. Especialmente Brasília, Capital da República, onde a maioria da população tem formação e comportamento cosmopolita. Este perfil, calha muito bem na personificação de Alberto Fraga, como o mais autêntico adversário da velha política de “acomodação”, posta em prática com propósito de salvar a todos (para o parlamento). O início do horário gratuito no Rádio e TV será de suma importância para “arrastar” o grande número de indecisos, e provavelmente reduzir a pré-abstenção já preconizada e devidamente identificada nas pesquisas de intenções de votos.

Brasília tem ganhado notoriedade pelas suas mudanças bruscas e radicais. A hiperatividade de seu eleitorado levou o IBOPE e outros Institutos de pesquisas a perderem suas credibilidades no ano de 1998, quando o governo Cristovam Buarque – o mais popular até então no DF – desfrutando índices confortáveis de aprovação de sua gestão, foi derrotado por Joaquim Roriz, com o poder de caneta na mão. Estas mudanças de comportamento “ciclotímica” do irrequieto povão, não asseguram garantia de eleição, até ser divulgado o último boletim, da última urna.

No próximo dia 07 de outubro, as eleições serão parlamentares. Para os candidatos ao governo, a verdadeira disputa é no segundo turno. O confronto renhido, entre os três principais concorrentes para o governo do DF, visa alcançar o segundo momento do pleito, ocasião em que se celebram acordos suprapartidários entre vencidos e vencedores para assegurar a “governabilidade”.

Para o Senado da República, Izalci Lucas irá usar o discurso do “traído”. Foi lançado por Cristovam Buarque como pré-candidato ao Governo do DF. Manobras de cunho oportunistas levaram o Senador Cristovam Buarque “engatar” marcha ré, e apoiar Rogério Rosso. Usando da linguagem popular, puxaram a escada de Izalci e o deixaram segurando no pincel. Contudo, esqueceram a capacidade de articulação do deputado federal, que conseguiu montar uma chapa competitiva, fazendo uma coligação com quatro importantes legendas: DEM, PSDB; PP e DC. Izalci abriu mão da pré-candidatura para o GDF, e aceitou encarar a disputa, com quem lhes puxou o tapete.

O desgaste eleitoral de Cristovam é notório. São dois mandatos de Senador da República, com comportamentos censuráveis nas votações cruciantes do Senado Federal, como por exemplo, o impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Mudou de posição no dia da votação. Esqueceu seus velhos tempos do PT, e votou na reforma trabalhista. Perdeu o bonde da história, quando teve votação simbólica como candidato a Presidente da República. Reelegeu-se Senador no ano de 2010, amparado pelas composições cujos discursos e programas, iam de encontro a suas convicções sobre tudo que pregou no passado petista. A falta de coerência pode lhes custar uma derrota. Quanto a Izalci Lucas, sua fidelidade a seus conceitos ideológicos e firmeza em suas posições no tocante a composições, representa um forte argumento para o eleitor brasiliense, exigente sobre compostura e correção dos seus candidatos. Até 07 de outubro, Izalci e Cristovam podem radicalizar a disputa e ambos conquistarem seus mandatos.

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